
Uma estranha no ninho – Capítulo 1 – Parte 4
Janeiro 22, 2008Cheguei no terminal do Tietê. Quem já esteve por lá deve bem saber a loucura que é aquele lugar. Pessoas esbarrando umas nas outras. Um corre , corre para não perder o ônibus, o metrô. Gente esbarrando as malas nas suas pernas, gente que não se olha…gente te olhando. A voz da menina no microfone, chamando alguém no balcão de informações. Eu escutava que ela chamava por alguém, mas não conseguia entender o nome. Esperava que não fosse eu. E se fosse? O que eu faria?
Não era eu que ela chamava. Mas as pessoas que passavam por mim me olhavam, como se soubessem o que eu tinha feito. Os olhos deles diziam “Ladra!”, “Mentirosa!” e o pior de tudo ” Assassina!”.
Mas eu não podia deixar que estes pensamentos me pertubassem. Eu estava no terminal do Tietê e tinha que me concentrar para não fazer besteira. Para quem nunca esteve no Terminal do Tietê, existem algumas informações que certamente irão lhes ser úteis caso venham a passar por lá. A primeira delas é a seguinte: finja que você sabe perfeitamente onde vai e o que quer fazer. Olhei totas as placas ao meu redor e logo comecei a andar “Sanitário Feminino”. Era ali, no banheiro feminino que entraria novamente em ação. Estava prestes ir para o segundo round do meu plano de fuga.
Esperei uma moça de aproximadamente 40 anos se aproximar da roleta e entrei logo após ela, pagando desinibida os 1 real cobrados pela moça do banheiro. Entrar foi fácil, a parte difícil estava por vir. Assim que a mulher, a tal talvez 40 anos entrou numa cabine do banheiro, entrei na do lado.
Quem já assistiu o filme argentino “As nove rainhas”, ou sua versão U.s.a “Os Vigaristas”, pode imaginar com que tipo de pessoa essa moça estará lidando nos próximos momentos da narração. Enfio a mãe sem nojo na privada e molho um pouco o rosto, perto dos olhos. E começo…a chorar. Um choro que começa devagar sensível, tímido..e aos poucos vai virando um choro sofrido, soluçado.
“Quem está chorando??!?” Escuto do outro lado. Continuo. Ela bate na porta. ” Quem está aí? Aconteceu algguma coisa?” Eu vou abrindo devagar. “O que houve minh flor?” Respondo entre soluços. “Eu perdi..” A moça me olha com pena e incompreensão. ” Perdeu o que querida?” Prossigo. “Perdi… a minha autorização pra viajar…Não sei onde está…não encontro em lugar nenhum” Mais choro.
Eu sei que uma atitude dessa deve parecer meio absurda, mas acredite, funciona. Aquilo era tão fácil para mim quanto mascar um chiclete. Pra simplificar a explicação, era um personagem. Eu acreditava naquilo que estava fazendo, como se realmente estivesse acontecendo…logo estava. E o choro se tornava real, e o soluço sófrego. Era simples fazer as coisas parecerem reais.
” E agora?? Vamos chamar seus pais no microfone!” Ela disse, pedindo minha mão.
(continua)
Sua história é muito legal…Passei aqui pra agradecer a visita na Fábrica!
Faça as palavras do Alexandre como minhas também. Obrigado pela visita ao meu blog.
O curioso é que eu também estava pensando em fazer um blog para colocar alguns rascunhos que venho escrevendo. Se um dia eu tira a ideia do papel (leia-se word) acho que vou copiar o modelo xD
Duda
Bom receber sua visita!
seu blog esta muito interessante!
beijos
opa, vc está ficando rápida nisso…rs
Legal, hein??
uma novela bem melhor do q aquelas típicas de televisão
continue escrevendo
e obrigada pela visita
bjos
ps: tem texto novo
ei, tu nao vai parar aqui e deixar todo mundo morrendo de curiosidade, né?
vai postar mais não?
abandonou o blog?
espero texto novo