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Uma estranha no ninho – Capítulo 1 – Parte 1

Janeiro 14, 2008
O título do capítulo é uma representação fiel do meu sentimento nesse exato momento. As pessoas vivem falando quer jovem tem vida mansa, que não tem preocupações nem responsabilidades. Uma ova! Tenho certeza que poucos adultos tem tantos pensamentos fervilhando na cabeça como eu tenho agora.Quando cheguei em casa, tremendo e soluçando, tudo o que eu queria era entrar logo no meu quarto, passar a chave na porta e me jogar na cama. Um lugar só meu. Meu quarto era meu cumplice, meu amigo , meu ouvinte, meu refúgio  e meu abrigo. Tudo que eu queria era ficar só naquele momento. Apenas eu e aquela enorme tristeza que queria explodir meu peito. Chorava baixinho. Não queria que ninguém me escutasse. Se escutassem era pior, pois viriam bater na porta do meu quarto e me colocar na parede para que eu falasse o que é.Se tinha uma coisa que eu sei que seria impossível de fazer naquela hora, seria falar sobre o que tinha acontecido, ainda mais para meus pais. Estava lá em cima do criado mudo, uma foto de todos nós num hotel fazenda que visitamos há uns 4 anos atrás, deve ter sido a última vez que saimos todos juntos. Olhei para minha mãe e meu pai, tão felizes na foto. Me deu uma dor, um enjôo que corri para o banheiro antes que fosse tarde. Entrei de baixo do chuveiro e com  a esponja esfreguei e esfreguei meu corpo que chegou até a doer. Me olhei no espelho após o banho e me senti feia, me senti imunda.Batem na porta. Prendo o choro e a respiração. “Juju, vem comer!” Mantendo o controle. “Tô indo mãe!”

Na mesa de jantar apenas o barulho dos talheres, todos aparentavam cansaço e um pouco de tristeza.

Minha mãe começa a me olhar bem nos olhos. Mãe é foda. ” Que foi?” Ela diz olhando pra mim, como quem consegue ver através dos olhos. “O que o que?” Despistei. “Por que está com essa cara?”  Nada mãe. Eu hein..” Tentei manter a tranquilidade e continuar comendo, mas ela continuou me olhando.

Depois  do jantar voltei para o quarto, escovei meus dentes e me joguei novamente na cama. Não consegui dormir. Milhares de imagens passavam pela minha cabeça e quanto mais eu me esforçava pra não lembrar de nada, mais imagens horrível me vinham ‘a memória.

Eu sentia uma tristeza imensa, era tanta, que cheguei a ponto de abrir a gaveta do criado mudo e encarar a tesoura de ponta que estava dentro dela. Ao mesmo tempo que queria muito me livrar de vez por todas daquilo que estava sentindo, daquele nojo, eu sabia que nunca seria capaz de tirar minha própria vida. Apesar de tudo, eu queria viver. Não era corajosa o bastante para fazer uma coisa dessas. Ou quem sabe..talvez fosse corajosa sim…por escolher a vida.

Na manhã seguinte, assim que abri os olhos levei um susto tremendo com minha mãe sentada na cama, ao meu lado, apenas me observando.

(continua)

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